sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Ser Forte Na Mensagem Da Imundície - Lucas Pimentel & Inominável Ser

 

Pleasures of Darkness, 2019 - KyuYong Eom


Publicado originalmente no
aos 10 de fevereiro de 2020



Despertei de um sono denso subitamente. Estava nu e com o falo em riste, como se tivesse em uso há pouco. Notei meu corpo quente. Ainda um pouco desorientado, me levantei e tentei me localizar, olhando para os lados e enxergando paredes de pedras. Ao que parecia estava em uma espécie de altar. Sobre minha cabeça havia uma abertura por onde raios solares beijavam a minha pele, quase como um toque humano. Forçando a visão em meu máximo, nada conseguia ver, a minha frente parece-se com caminhos de pedras eternos que não se vê o fim.


Eu tentei me acalmar e me localizar, mas formas densas de visões acima de mim surgiram me exaltando e excitando ainda mais. Como blocos de narrativas do Passado, do Presente e do Futuro, eram orgias intensas e extremas captando toda a essência da História Sexual Cósmica. Como eu poderia estar entendendo tudo isso naquele confuso momento? Como eu, um simples humano, poderia estar tendo uma certeza sobre algo muito acima de mim? Eu somente Sei que tudo chegava muito rapidamente e o caminho de pedras eternas se tornava ainda mais lúgubre, íngreme e estranho.


As imagens então, que dançavam acima de mim, passavam cada vez mais rápidas. Tão rápidas que os meu olhos concentravam-se em poucos flashes das imagens que me eram mostradas. Via seres gigantes, via aparentemente demônios com homens e mulheres e via criaturas grotescas. Estava completamente aterrorizado. Mas, simplesmente, não conseguia parar de olhar. Aos poucos as imagens diminuíam seu fluxo e agora estavam praticamente estáticas e uma grande cena de orgia fou mostrada, dando foco a todos os seres que ali participaram. Como uma grande fotografia. Entre muitos homens a celebrar aquela cena degradante, um se destacava, era muito parecido comigo. Seria eu? Mas como?! Se nunca havia feito tal ato imundo, como poderia ser eu um dos homens alucinados pelo espírito do mal, se dediquei a minha vida inteira à igreja, sendo assim por extensão o celibato. Parecia tão fora de mim, como se tivesse sido apossado ou possuído por algo.


Eu me via na orgia com homens musculosos parecidos com os frequentadores da minha igreja. Eu me via na orgia com mulheres avantajadas nas formas parecidas com as frequentadoras da mesma. Em um momento, eu me vi com meu pai, minha mãe, meus filhos e minhas filhas… Deus, que horror era aquele? Deus, como eu poderia estar ali no meio de tantas perversas situações? Deus, meu Deus, por que aquilo tudo estava passando diante de mim como um filme pornográfico interminável? Eu estava horrorizado, porém… Porém… O meu pênis estava mais duro do que nunca… O meu pênis latejava… O meu pênis gritava… O meu pênis ganhava vida própria… E nesse ganho de consciência da parte do meu corpo que mais controlei em minha vida, eu vi uma mulher parecida com a minha ex-esposa… Não… Não, ela era também parecida com a minha mãe… Não… Não, ela também era parecida com as frequentadoras da minha igreja… Não… Não, ela também se parecia com o primeiro amor de minha vida… Meu primeiro amor, a minha própria irmã de sangue, a quem desejei desde que éramos crianças… Gabrielle morreu vinte anos atrás… Não podia ser ela… Era ela… E era todas que conheço… Aquela mulher dirigia toda a orgia com tranquilidade, sutileza e imperiosidade. Me puxando pelo pênis, apertando-o com força, me conduziu a um altar parecido com o de minha igreja. E começou a fazer… Deus, como ela fez aquilo?


A sua juventude estava intacta, como me lembrava da última vez em que a vi, no dia de seu casamento. Loira de longas madeixas, até o meio de suas costas, acima de sua vulva tão volumosa era coberta com pêlos pubianos que de tão brilhantes luziam com ouro à minha frente. Seus seios avantajados pesavam pelo seu corpo. Seus mamilos rosados e pontiagudos cresciam como adagas contra os meus olhos. O sinal de nascença no lado esquerdo de sua bochecha. Definitivamente era Gabrielle. Ela pulsava suas mãos delicadas em volta de meu pênis, eu respirava ofegante. Eu tremia entorpecido de um sensação única. Era isso que era considerado prazer? Me encarava com o mesmo olhar da juventude, aquele mesmo olhar inocente que me cativava, outrora. Agora, a inocência dá lugar a uma feição de desprezo. Ela me mandou abrir a boca, eu abri, assustado ainda com tudo isso; abri demoradamente, ela fechou as mãos e socou meu nariz. O sangue escorreu pela minha boca pingando no chão do altar. A dor me fez jorrar lágrimas quentes. Assim, abri a boca o mais forte que podia com meu nariz pulsando uma dor estridente. Ela escarrou dentro da minha boca e me mandou engolir. Engoli, completamente assustado. Então, ela me segurou pelos cabelos e bateu com força minha cabeça contra o chão, dizendo que não poderia de maneira alguma sujar o altar com o meu sangue amaldiçoado. Consentindo, com -ainda- lágrimas nos olhos comecei a lamber a pequena poça de sangue que tinha se formado ali. Ao me olhar obediente, Gabrielle encheu sua boca para me chamar de imundo. Começou um som quase inaudível de tão baixo. Aos poucos ela foi repetindo e modulando o som. Gritando a mim: Imundo! E outra vez… Imundo! E mais outra… Imundo! Enquanto urinava sobre o meu corpo, um mijo quente, espesso e fétido.


De alguma maneira, eu gostava de tudo aquilo. Um agitar dentro de mim movia-me ao sentimento de agradar-me com aquilo tudo. Abri a minha boca e recebi todo o mijo dela como se fosse o mais delicioso néctar de todos os néctares! O gosto era doce, salgado, suave e forte ao mesmo tempo! Eu me ajoelhei e ela esfregou em minha cara a vulva, ainda gritando “IMUNDO”, palavra que alcançou uma elevação infinda dentro de mim! Ela se virou e cagou na minha cara, gritando mais forte ainda “IMUNDO”! As fezes caiam sobre meu rosto, escorriam pelo meu corpo, “IMUNDO” se tornou um mantra dentro daquela situação entre Benção e Maldição, Prazer e Punição! Abri de novo a boca, “IMUNDO”, e comi as fezes dela! O sabor indescritível era semelhante ao de frutas adocicadas com toque bem sutil de sangue, “IMUNDO”! Cagado, mijado, humilhado, “IMUNDO”! Ela cortou a própria jugular com as finíssimas unhas e jogou sangue sobre a minha cabeça, “IMUNDO”! Ela me batizava, me ungia, “MEU IMUNDO IRMÃO DESTINADO AO DESGRAÇADO RECINTO DOS VERMES HUMANOS QUE SE JULGAM ALGUMA COISA ACIMA DO LIXO QUE SÃO!”, gritou assim se dirigindo ao altar! Todo sujo, todo batizado, todo ungido, daquele modo, olhei para o altar e o que vi é algo que me deu ainda mais profundo tesão…


Havia uma mulher jovem e de pele alva, pêlos e cabelos negros, deitada em uma banheira preenchida por um líquido branco, talvez fosse leite, mas a esse ponto tudo era possível. E eu não ousaria prever o que fosse. Seus grandes olhos verdes me encaravam a cada dois segundos e olhavam para cima. Fedia ainda a inocência, isso era claro, todos podiam sentir isso. Eis que minha irmã sussurrou em meus ouvidos: “Meu irmão, a tome para você, como quiseres, do jeito que quiseres, em qual orifício preferir. Dê asas ao teu desejo sujo. Meu belo irmão, imundo. Esse será o teu ritual de passagem para adentrar na igreja dos filhos de Ares, Lilith e Afrodite”. Ela não destoava nada em seu rosto. Sem pavor, sem tesão, sem medo, apenas esperando o tempo para ser usada e performar uma servidão devota ao falo de seu possuidor. Eu me aproximei dela, estiquei meu braço; ela saiu da banheira, calmamente. Gabrielle mandou suas ninfas secarem seu corpo com as línguas. Nesse momento, subiram ao altar cerca de quatro mulheres com longos cabelos que iam até o chão e, usando de suas longas madeixas, envolveram o corpo daquela mulher. Secando seu corpo encharcado. E após secarem todo o seu corpo, foram embora. Descendo as escadas do altar. Eu a abracei, pressionando seu corpo contra o meu. Percorri minhas mãos em seu pescoço, toquei em seus lábios grossos com os dedos e a beijei devagar, o beijo progredindo para línguas e mordidas, tanto da minha parte como da dela e nos beijamos outra vez com volúpia e força. Deitei-a no chão do altar. Cercados por fezes, sangue e urina desci pelo seu corpo.


Sentimento não tinha vez naquela forma como eu e ela nos enroscamos. Senti os olhos de Gabrielle cheios de volúpia e algo muito estranho, inidentificável, nos observando. “IMUNDO, IMUNDO, IMUNDO, IMUNDO” … De repente, toda a orgia em redor cessou e eu ouvia apenas as vozes de todos os estranhos… “IMUNDO, IMUNDO, IMUNDO”… Um Cântico Dos Abismos se formou e eu penetrei aquela mulher com a ferocidade tempestuosa de infindáveis violadores… “O IMUNDO ESTÁ PENETRANDO NA VIRGEM ETERNA”! O cu dela engoliu meu pênis cheio de merda, mijo e sangue como se estivesse com uma fome há milênios sentida… “O IMUNDO ESTÁ PENETRANDO NA VIRGEM ETERNA”! Eu me movi, tirei muito sangue do cu dela, impiedoso e cada vez mais selvagem… “O IMUNDO ESTÁ PENETRANDO NA VIRGEM ETERNA”! Eu tentei sair do cu dela, mas meu pênis foi aprisionado, estava sendo apertado, me fazendo gritar! “O IMUNDO MACULOU A NOSSA ÚNICA SANTA”! Percebi, então, que os cabelos daquela mulher se tornavam escorpiões e o corpo inteiro dela adquiria chagas, espinhos e lâminas! “O IMUNDO MACULOU A NOSSA ÚNICA SANTA”! Meu pênis estava sendo cada vez mais comprimido e os escorpiões me mordiam e as chagas de mim se apossavam e os espinhos me feriam e as lâminas perfuravam minha alma! “O IMUNDO MACULOU A NOSSA ÚNICA SANTA“! Gabrielle se aproximou de nós, eu nem conseguia gritar mesmo sentindo intensas dores; eu nem conseguia falar, minha garganta foi tomada por pedras; eu nem conseguia me mexer, eu parecia uma estátua de pedra presa pelo pênis a uma indestrutível coluna disforme que um dia fora uma belíssima mulher… “O IMUNDO MACULOU A NOSSA ÚNICA SANTA”! Foi a última vez que ouvi o coro daquelas criaturas orgíacas, que se calaram para ouvir o que Gabrielle me disse…


“Parabéns, meu irmão! Teu sangue foi invadido pelo veneno da nossa única santa, a partir de agora é que o teu processo de inicialização começará. Aqui neste ponto o veneno se espalhará pelo teu corpo, teus órgãos queimarão, beirando uma combustão. Se resistires ao seres queimadas de dentro para fora, meu caro irmão, poderá, juntar-se a nós, junto com a nossa igreja. Eu prometo a você, meu irmão, o processo de quase morte, é um dos maiores deleites que um humano imundo como você poderá sentir nessa tua finita vida. Aproveite!” Enquanto Gabrielle me dizia as delícias e as dores que eu logo enfrentaria, eu sentia minha carne queimando, como se fosse desprender-se do corpo e cair de mim. Como se fosse uma pontada vinda junto de um queimar tão intenso, que aquecia meu corpo. Eu sentia o pênis jorrar e quase matar-me de prazer. Literalmente. Eu jorrava de meu pênis um líquido ardido e flamejante que fazia a jovem urrar de dor e até então a mulher que encontrava-se muda gritava uma reza ríspida: “Queima-me, Senhor Ares, toma-me a vida por este meu orifício imundo, que expectora fezes e serve de mero buraco para o prazer a este homem viril que me devorará com pavor e tesão. Queima-me o ânus e depois que se suceda o ventre e o estômago. Até minha língua. Estou pronta para minha utilização final, meu senhor.”


E desprendi minha essência dentro da essência daquela mulher, coluna ou coisa ao qual meu pênis estava preso. Em um processo que julgo agora ter sido um tipo de bruta alquimia, me tornei cada substância dentro do corpo dela e ela se emaranhou entre minhas vísceras, pensamentos e excrescências da alma e da mente. Toda a minha sujeira esparramou-se com meu sêmen para dentro dela, eu não conseguia parar de gozar… Somente ouvia o silêncio, até mesmo o de Gabrielle… As palavras morreram… Eu morria.. Morria gozando junto com ela… Morria exaurindo-me existencialmente através dela… Morria sentindo que todo meu Ser se tornava maior enquanto o dela desaparecia… Morria… E morria… E continuava morrendo… Um cadáver era a mulher quando parei de gozar dentro dela, retirando meu pênis totalmente esfolado do cu morto. Eu também estava morto… Morta, ela voltou a ser belíssima como antes e Gabrielle fez um sinal para que as servas dela a retirassem de perto de nós. Eu também estava morto… Olhei para o cortejo que a levava em direção a um lugar bem longe do altar e todas desapareceram. Eu, morto, daquele modo… Os seres orgíacos desapareceram e apenas eu e Gabrielle permanecemos naquele lugar. Se eu estava morto, se eu continuei morto, como eu poderia saber se não era eu que estava sendo levado por aquelas mulheres? Elas retornaram com pedaços assados de carne, a carne daquela mulher, no mesmo instante em que minha irmã me deu para beber um estranho líquido em uma taça de madeira podre. “Agora, você tem que se alimentar da carne da filha de Lilith, Afrodite e Ares que você matou. É a conclusão da sua Iniciação, seu imundo. Vai negar agora o que seu coração, ocultamente, sempre desejou? Vai fugir com medo de ir mais longe do que já foi aqui hoje? Vai correr agora e voltar para aquela sua igreja de latrina onde sufocas a tua carne, tua mente e teu corpo? Ou vai comer a carne da Santa Eva Mara, A Nascida Da Imundície Dos Deuses E Dos Demônios?”, com impetuosa voz Gabrielle me disse, estando as bandejas de ouro em meu redor contendo a carne da minha vítima.


Eu aceitei, comi cada pedaço de sua carne. A começar pelas coxas tão grossas. Ao me deparar com a primeira mordida, notei que estava faminto. Parecia-me que estava copulando há meses. E talvez estivesse. Já que minha noção de tempo fora completamente esvaziada de minha mente. E eu continuava faminto. Eu comi sua língua e era doce. Eu comi sua vulva e era um escárnio de tão saborosa. Eu mamei a gordura hidratada de suas tetas fritas, tão salgadas. Eu estava empachado. mas ainda assim faminto. Me preparei e bebi do cálice da madeira podre, um néctar que parecia muito com o gosto da urina de Gabrielle, adocicado por algumas gotas de sangue sangrados dos olhos da jovem com quem me transmutei em uma nova criatura. Consegui engolir melhor a carne que se transtornava em minha garganta. Continuei a comê-la mais, a mordi na cabeça, onde, sobre a carne queimada, surgira outra carne esponjada. Então, um som ganhou força, todos que assistiam calados ao meu banquete, começaram a bater com as mãos no chão e a gritar um som uníssono, até o momento em que suas gargantas falharam. E quando as suas vozes falharam, eles voltaram a gritar novamente.


“O IMUNDO SE TORNOU UM DOS NOSSOS!!! O IMUNDO SE TORNOU NOSSO IRMÃO!!! O IMUNDO SE TORNOU NOSSO SALVADOR!!!“ Eu despertei do ato devorador da carne daquela Santa que matei e todos os orgíacos estavam de volta. De longe, eles observaram meu banquete e agora voltavam a foder em um frenesi estupendo e irrefreável. As bandejas de ouro foram retiradas pelas servas de minha irmã, que pôs uma coleira em meu pescoço e me guiou em direção ao altar, me acorrentando ao mesmo. Com o mesmo olhar desprezível desde que a reencontrei naquele lugar, ela me disse: “Para eles, você é um irmão, para mim apenas um cachorro imundo que vai me servir com fidelidade cegamente! Você não tem mais um nome nem tem mais idade! Você não tem mais origem e nem tem fim! Você não tem mais dignidade e nem identidade! É o meu cachorro imundo sem vontade, sem voz e sem descanso! Vou fazer as minhas necessidades em cima de você e sempre vou querer que coma minha merda e beba minha urina! Somente eu vou te tocar, para te machucar como você me machucou! Escravo e puta minha é o que você será agora! Lembre-se disso ao acordar, IMUNDO!!!” E acordei, suado, com taquicardia, amedrontado e peguei minha Bíblia ao lado esquerdo de minha cama para orar! Não consegui abrir o Livro Sagrado… Antes desta batina, dos meus filhos, da minha ex-esposa, houve Gabrielle… Minha amada irmã… Minha desejada irmã… Eu… Eu… Eu julgava que me casando, eu esqueceria o quanto a machuquei… Eu julgava que formando uma família, esqueceria daquilo que fiz com ela… Aquilo que ninguém nunca vai descobrir… Fugi para a Igreja, mas aquilo que fiz com ela continua me perseguindo… Aquilo que fiz com ela… Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus! Gabrielle, eu queria… Eu quero… Fazer de novo com você!


Lucas Pimentel

& Inominável Ser

COBERTOS

POR ESTA

MENSAGEIRA

IMUNDÍCIE