quarta-feira, 22 de julho de 2026

Misumisou: A Adaptação Cinematográfica

 




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👨🏾‍💻 Dados Técnicos 


Adaptação do Mangá de Rensuke Oshikiri

📖Título original: ミスミソウ

📆Data de lançamento: 7 de abril de 2018

🇯🇵País: Japão 

🎥Direção: Eisuke Naito

🎭Elenco: Anna Yamada (Haruka Nozaki), Hiroya Shimizu (Mitsuru Aiba), Rinka Otani (Taeko Oguro), Aki Morita (Kyoko Minami), Rena Ohtsuka (Rumi Sayama), Seina Nakata (Yoshie Tachibana), Ayaka Konno (Risako Kato), Arisa Sakura (Yuri Mishima), Kenshin Edo (Hidetoshi Kuga), Kazuki Otomo (Hiroaki Mamiya), Masato Endo (Tsutomu Ikegawa), Minori Terada (Michio Nozaki), Toda Masahiro (Kazuo Nozaki), Reiko Takaoka (Kana Nozaki) e Sena Tamayori (Shoko Nozaki)

✒️Roteiro: Miako Tadano

🎞Produtores: Kimiaki Tasaka e Koji Harada

🎥Cinematografia: Hidetoshi Shinomiya

🎦Gêneros: Drama, Bullying e Terror

🕑Duração: 114 min.

⚖️Créditos da Legenda: Movie Asian Fansub



✍🏾 Sinopse

Haruka Nozaki é uma adolescente do Ensino Médio que se muda para uma cidade do interior por causa do trabalho do pai. Na escola onde estuda, passa a sofrer um intenso Bullying liderado por Taeko Oguro, considerada a Rainha da classe. Tendo como único amigo nesta Mitsuru Aiba, ela resiste o máximo que pode aos sucessivos assédios morais e perseguição do grupo que age sob as ordens de Oguro. No entanto, saindo dos muros da escola, o Bullying ganha proporções imprevisíveis e vitima a família de Haruka. Segue-se, então, uma brutal vingança da parte da presa contra seus predadores, manchando de vermelho-sangue a neve que encobre a paisagem e torna tudo ainda maior no Horror que toma formas incontroláveis.


⚖️ Créditos da Sinopse: Movie Asian Fansub 


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Este é o filme cuja cena mais representativa é a terceira acima. Trama de Terror, Assassinato e Drama baseada no Mangá que resenhei aqui no blog, outro dos mais tristes filmes que já assisti até hoje. Outro filme que me destruiu por inteiro com sua temática forte, onde quase todos os personagens possuem algum tipo de distúrbio mental. No meio de tudo isto, a Haruka de Anna Yamada sofre uma transformação total, indo de vítima de Bullying no começo a uma vingadora sanguinária da morte dos pais e da quase morte da irmã nas mãos dos bullies, queimados vivos junto com a casa. Duas surpresas muito estranhas aguardam o espectador na reta final do filme e as mesmas deixo para quem tiver a coragem de assistir. Uma Fotografia linda se destaca, principalmente quando sangue cai sobre a neve. É muito lindo o vermelho do sangue sobre o branco da neve. É mais linda ainda uma vingança efetuada sob a neve embelezando ainda mais a paisagem. Todos os culpados que morreram neste filme mereceram muito bem as mortes que tiveram.



Inomináveis Saudações a todas e a todos vós, Coveiras, Coveiros e visitantes!

A transição de uma história de Bullying e Vingança de um Mangá para Live Action ou Anime sempre corre riscos de ter no meio do caminho muitos cortes e amenizações nascidas do desejo dos Produtores em entregarem algo palatável para o maior número de pessoas possível. No caso único de Misumiso, originalmente um Mangá escrito e desenhado por Rensuke Oshiriki, a adaptação transpôs para a tela do cinema toda a Ultraviolência do material original quando a mesma fez-se necessária no momento em que as tensões do filme começaram a ficar bastante elevadas. Em Live Action, a Vingança de Haruka Nozaki ganhou vida maior do que se poderia aguardar de uma adaptação e superou o material original em muitas partes específicas do Enredo.

Claro que muitas cenas do Mangá não puderam ser adaptadas e alguns personagens que nele tem certo destaque, além do núcleo adolescente, tiveram suas presenças diminuídas. Isso fez bem ao filme porque se este se prolongasse demais o foco central do Roteiro se perderia em si. Comparado ao Mangá, o que Miako Tadano fez adaptando o texto de Oshiriki foi focalizar os pontos mais fundamentais da trama, sacrificando outras para a própria dinâmica do filme não ser um amontoado de informações que se afastem da história central. Isto é verdadeiramente adaptar uma obra de uma Mídia para a outra sem criar uma outra obra que os Fãs do material original sequer reconheceriam.

Toda a tortura causada pelo Bullying, as cenas chocantes e o permanente sombrio estado de uma cidade com muitos problemas em seus moradores estão todos dolorosamente presentes aqui. Se no Mangá todos os temas tratados já eram por si sós realistas e próximos de nós o suficiente para nos identificarmos com tudo deles, o filme hiperacelerou o desconforto e o incômodo gerais do todo da obra. Eu assisti ao filme antes de ler o Mangá e aqui no blog li este para poder Resenhar primeiro seguido daquele. Não há, da minha parte, do que reclamar nesta adaptação fiel, em certa medida, das passagens do original que muito simbolicamente ganharam uma sofisticação ímpar através da maravilhosa Fotografia vista na produção. 

Ao inserir um tanto de Filme Autoral nesta obra, Eisuke Naito não pretende embelezar uma história que nada tem de agradável ou bela. Todos os cenários na neve, as gotas de sangue, o Gore excessivo (e que não estragou a minha experiência como cinéfilo, por incrível que pareça) e o paulatino crescente da angústia, da tristeza, do ódio e da vingança foram pensados para dar ao espectador uma viva experiência de sentir a natureza de tudo isso como necessária no filme. Há tonalidades bastante melancólicas nas notas de uma harmonia em alguns momentos que fazem crescer a dor que o filme transmite de um modo natural, como se o Diretor nos condenasse a descer pouco a pouco em direção a um círculo infernal de situações ainda mais macabras e bizarras do que descritas no Mangá. Não saí mesmo incólume deste filme e o mesmo permanecerá para sempre em mim com toda a potência e visceralidade que o constituem em plenitude artística. 

A melhor dos Atores é a Anna Yamada, que tanto silenciosa quanto apenas no olhar faz de sua Haruka Nozaki uma perfeita encarnação da personagem original. Cito o olhar dela como a característica maior de seu talento porque nele pode-se ver tudo que a personagem é e busca antes, durante e após as brutalidades vistas no filme. Como eu escrevi na Resenha do Mangá, Haruka não é uma heroína e nem defende como valorosa a vingança em si mesma, acrescento. O que ela faz é uma reação ao ambiente que a oprimiu, sufocou, embotou, diminuiu, quebrou, curvou e dobrou. É uma menina acuada que reage à altura dos predadores que deram-lhe terribilíssima Dor. É uma menina além dos limites que se transforma em alguém feroz para poder punir aqueles que cometeram a atrocidade que a fez tornar-se uma vingadora. É uma menina simples e humilde que foi obrigada a se desumanizar tanto quanto aqueles que, mais desumanos do que ela, vitimaram-lhe a família. 

A Rumi de Rena Ohtsuka é o outro destaque, segundo a minha opinião sobre o que assimilei do filme, porque também foi uma presa e reagiu para tentar ser bem vista por aquela que idolatrava, Taeko. Mas, esta a despreza imensamente tanto no original quanto nesta adaptação, o que faz-lhe tomar atitudes ensandecidas de uma psicopata que efetuou uma ação, a qual não posso falar aqui, que direcionou os eventos com maior aceleração na história. Eu não aguardava o que vi desta personagem, um verdadeiro monstro com uma mente totalmente distorcida e doentia que agiu por impulsos destrutivos incontroláveis motivada pelo Ódio. No fim, percebi que Rumi odiava mais a ela mesma do que qualquer outra pessoa e, sob certo ponto de vista, foi uma vítima de Bullying que se desagregou da sanidade e da realidade para executar uma vingança por motivos egoístas. Muito diferente de Haruka, a vingança de Rumi foi realizada mais contra ela mesma por ter sido no passado fraca e frágil demais para reagir contra os seus agressores. Falam mal da Rena Ohtsuka neste papel, mas eu gostei da interpretação dela porque seu tipo físico inofensivo e retraído muito bem esconde a fera que sua personagem é. Algo diferente do Mangá, que na própria caracterização do design de Rumi em um primeiro momento de seu surgimento denota que a mesma carrega em seu Ser algo sinistro e perturbador. 

O Aiba de Hiroya Shimizu é outro personagem que me surpreendeu negativamente, muito pelo choque que senti quando o filme demonstrou quem ele era na verdade. O Ator se entregou a uma interpretação bem discreta e nada exagerada, até o referido momento da revelação de sua verdadeira personalidade e índole. É um nível máximo de loucura o que se encontra no filme inteiro e a Haruka, tal como a flor que dá título à ele, resiste ao inverno das emoções e transtornos psíquicos que a rodeiam sem ela mesma ser afetada por tanta carga negativa de pessoas nada afeitas a pensarem em modificar as suas próprias Realidades. A Taeko, por exemplo, teve um motivo bastante fútil e idiota, provido de um egoísmo infinito, para começar a liderar o Bullying contra Haruka. Rinka Otani também atua discretamente e sua personagem tomou consciência do erro que cometeu muito tarde, o que lhe foi fatal e inescapável no Mangá. Mas, aqui no filme, para meu desagrado total e de muitos espectadores que leram ou não aquele, o final da desgraçada que gerou toda a tragédia maior da história foi modificado. Não gostei do final do filme, para ser bem franco, e nenhum de vocês que o assistirem tenho certeza de que não gostarão também. 

O restante do elenco atua bem com o tempo mínimo de tela que tiveram, sem comprometer o resultado do andamento do filme considerado em toda sua metragem. Lendo o Mangá, percebi que na adaptação cinematográfica a Professora Minami teve uma redução quase total de sua importância como um ponto de compreensão do quanto o Bullying é a experiência mais terrível vívida por crianças e adolescentes na história. No entanto, sua ausência maior aqui nesta Mídia se juntou a outra que faz parte da contundente velada crítica do Roteiro seguido com fidelidade pelo Diretor: a dos pais dos bullies. Haruka, Taeko, Rumi e Yoshie são mostradas com suas famílias, as quais ignoram o que cada uma faz e passa tanto na escola quanto em suas vidas privadas. No Mangá, os pais parecem coadjuvantes bem distantes, com a exceção dos de Haruka (o que se repete no filme). Nesta adaptação, a ideia que se dá é a de que a responsabilidade pela educação geral dos filhos, além das matérias ensinadas, é da escola. No entanto, nesta, Professores e Diretores não querem se ocupar e preocupar com o que quer que esteja ocorrendo visto que aquela será fechada quando a turma de Haruka se formar. Não há empenho e nem interesse da parte deles em olhar para cada aluno bem de perto, muito além dos uniformes, da condição financeira ou do status que possuam no interior do ambiente escolar. 

Tudo que ocorre em Misumiso poderia ter sido evitado se a instituição chamada Escola fosse um lugar onde os adultos que comandam-na abrissem os olhos para situações aterradoras de intimidação física e terrorismo psicológico que ocorrem em seus perímetros. A conversa do pai de Haruka, que estava o acompanhando, com a Professora Minami, é a crítica mais crua ao Sistema de Ensino Japonês que apenas espera resultados e ignora por desinteresse os abusos diversos cometidos em suas dependências pelos bullies e até alguns Professores. A Professora, com sua resposta dada ao pai da menina, representa bem o tipo de "Profissional" típico de escolas onde adolescentes deprimentes e frustrados extravasam sua ira em cima dos mais fracos. Na resposta dela, anunciou-se a desgraça que atingiu a Família Nozaki; e quantas desgraças iguais ocorrem no Japão da nossa realidade e em todos os países do mundo com escolas iguais ou piores do que a desta obra? É por isso que opto em escolher a dedo os filmes que recentemente estou assistindo: eles me fazem meditar sobre o quanto denunciam de errado e decadente em muitos elementos específicos de situações da nossa Civilização. 

E este Terror mais do que real supera o de todo e qualquer filme de Terror. Misumiso é um conto de desesperança e desagregação sociais, não apenas uma sucessão de cenas com sangue brotando até da tela. Assisti-lo é como tentar fazer com que os acontecimentos não ocorram e isto se torna impossível à medida que o tempo vai passando. E quanto mais o tempo passa, mais a situação geral definida pelo Roteiro retira qualquer sinal de que o filme acabará em um resultado diferente do que seu tom macabro pessimista e depressivo grita mesmo no silêncio de algumas cenas. E quanto menos pensamos em ver algo de milagroso a ocorrer com Haruka e quem está ao lado dela, como o avô, mais as probabilidades de uma conclusão dentro de uma miséria existencial protuberante se tornam irresistivelmente maiores. Misumiso me deprimiu com tanto força, mais do que já o sou, que nem o fim de cada psicótico nele amenizou essa desconfortável sensação. É um filme que mexe e remexe com muita coisa dentro de nós. É um filme que não faz bem a ninguém porque o objetivo dele não é ser um parquinho de diversões baratas. É um filme que não nos poupa e tampouco nos deixa incólumes. Mesmo assim, sua Existência o confirma como uma preciosa obra do Gênero que não tem medo de chocar, agredir e fazer pensar por muito tempo ou por toda uma vida sobre cada mensagem que ele quis transmitir aos espectadores. 

O único verdadeiro sorriso neste filme é o da pequena Shouko, irmã de Haruka. Um pequeno ponto de luz em uma peça cinematográfica permeada por horrendas Trevas que os mais observadores poderão nele identificar. Repito: há muito mais aqui e, também, no Mangá que o originou, do que apenas sangue brutalmente derramado. Fixem bem os olhos ao assistirem-no. E não permitam que eles sejam perfurados.

Saudações Inomináveis a todas e a todos vós, Coveiras, Coveiros e visitantes!




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