sábado, 27 de junho de 2026

Cigarros, Sangue & Poesia

 

Foto de Gage Walker no Unsplash


Com mil fumaças 

de cigarros, 

Imortais manobram

as temporais

engrenagens

como quem direciona 

o próprio Tecido

da Eternidade. 


A Eternidade, 

uma Deusa com 

Laços Inexplicáveis, 

doutrina Imortais 

que são banhados 

pelo Kosmos, 

pelas luas 

e pela

Grande Noite 

Senhora De Todos

Os Iguais 

E Desiguais. 


A Grande Noite

abençoa as fumaças

de cigarros imortais, 

fumar como se

um amanhã qualquer 

serve para ser

degustado como

um banquete 

de saborosas

jugulares. 


Abrem-se jugulares

ao pôr do sol

nos mundo de baixo

do Kosmos, 

quem caça 

não tem amor

aos cadáveres, 

quem caça vê apenas

o saboroso gado

a ser 

degustado. 


A Vampira 

degusta, 

A Vampira 

fuma, 

Deuses

não salvam 

suas vítimas, 

Demônios 

não se intrometem

em sua

Estrada. 


A Vampira 

vê na fumaça 

de seus cigarros

a Sanguinária Trilha

que já percorreu, 

que percorre 

e ainda percorrerá

eternamente, 

longe do pó, 

longe dos empoeirados

e longe de outras 

e outros

de sua Espécie. 


A Vampira 

Que Fuma

Todos Os Cigarros

é como a fumaça 

que traga

e expele:


Nasceu

do útero de uma 

Vampira em agonia

no ano de 1279

antes do 

Vampiro

Crucificado;

viveu 

sob catacumbas 

de terras & povos

hoje extintos;

e sobreviveu

vendo outras 

terras & povos 

morrendo, 

vendo outras

terras & povos

nascendo;

e trazendo 

nas mandíbulas

o sangue de tudo

que é carne mortal 

conhecida

e desconhecida. 


A Vampira

Que Fuma

Colhe Seus Troféus, 

a noite toda 

caça, 

a noite toda 

é uma fumaça, 

pois ela é 

uma Vampira

Que Fuma

Colhendo Os Seus 

Troféus. 


Sem disputas, 

ela ganha. 


Sem rivais, 

ela ganha. 


Sem inimigos, 

ela ganha. 


Assim como

este poeta

ganha agora

uma jugular 

por ela

estraçalhada… 


O poema

se encerra. 


O poeta

se esvai. 


A Vampira

Que Fuma

declama

com suas

mandíbulas 

o poema de 

sangue misturado

com fumaça. 


Inominável Ser

UMA FUMAÇA

QUE MORRE

NOS BRAÇOS 

DE UMA

VAMPIRA 

QUE FUMA